domingo, dezembro 30, 2007

Monótona vida

Acordar era sempre muito difícil, mas o fazia.

A ausência da rotina a incomoda, ainda assim sorri fazendo careta pro espelho do banheiro e começa seu dia.

Monótono dia.


Canta baixinho no chuveiro. Ela tenta planejar seu futuro.

Seu dia passa dentro dela mesma. Como todos os outros.

E sempre o futuro é quem toma conta.


Às vezes ela tem medo de enlouquecer.


Vazio. Grande vazio. Planos. Muitos planos.

Ações. Para o futuro incerto.


A vida passa. Ela está só.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Estágio vegerariânico

Estou passando por uma experiência diferente. É um estágio de vegetarianismo pra me adaptar a essa nova forma de vida.


Uma decisão que mudará meus valores e hábitos durante toda a minha vida não pode ser tomada de uma hora pra outra, mas a cada minuto tenho mais certeza de que tirar animais na minha alimentação é o mais racional a ser feito.


Caso você também esteja pensando em fazer isso ou tem alguma curiosidade de saber de uma leiga como é a primeira fase aqui vão alguns pontos observados por mim.


Virada radical


Numa família onde não há um vegetariano sequer, parar de comer animais não passa despercebido. Até agora todos aqui em casa tem levado na boa, apesar de ninguém botar fé de que vai durar muito tempo e não entenderem bem o porquê. Não quero ser nenhuma radical, não quero que eles parem de comer carne, muito menos você que está lendo. É uma atitude absolutamente pessoal. Também não quero ter que sair falando em todos os lugares onde eu passar, essa fase de adaptação é complicada, mas descrição é fundamental. (relevem o fato nada discreto de eu estar publicando meus ideais numa página de acesso internacional).


Ideal


A decisão de não tomar nenhuma postura radical é muito importante, portanto, não esperem que eu os condene por comer animais nem que eu mude a imagem do template do meu blog porque tem um bife. Sei que quando eu já estiver adaptada, o fato de eu comer animais ou não vai alterar em nada a minha rotina ou a rotina da minha família, que eu tenho feito lanchar em lugares que me dão a opção de batata-frita, por exemplo uehuehueheuhe.


O motivo ético


“Do ponto de vista ético, a carne em nossa mesa implica em crueldade com os animais, bem como com o próprio ser humano, uma vez que sua produção é anti-econômica e a quantidade de alimento produzido em uma mesma extensão de terra é muito menor do que quando dedicada à lavoura. Portanto, em um mundo onde a fome ainda é uma realidade para grande parte da família humana, torna-se, o comer carne, um hábito suntuoso, totalmente inaceitável.


A maneira como os animais são criados em espaços reduzidos, confinados em gaiolas ou em ambientes superlotados é cruel e desumana. Os animais são muito ligados à sua prole; quando criados confinados são impedidos de seguir seus instintos, o que os faz sofrer intensivamente. A forma como são abatidos é primitiva e violenta. Os métodos para atordoá-los não são confiáveis e muitos são esquartejados, esfolados, queimados e/ou depenados ainda vivos.


Os animais são transportados para o abate em condições péssimas, muitas vezes ficando sem alimento ou água por longos períodos de tempo. Em vista disso, muitos morrem a caminho do matadouro.”


No início não é fácil


Num dia normal na minha casa, no lanchinho do meio da tarde e do fim da tarde, eu fritaria hambúrguer ou mini-chicken que estão sempre prontinhos na geladeira, e de noite eu como sempre um x-bacon ou um x-calabresa da lanchonete perto de casa. Hoje, estou absolutamente perdida encontrando alimento apenas nos vários tipos de pão que rondam a minha geladeira. Num dia pão manteiguinha, no outro pão de forma, no outro dia pão francês, no outro dia eu já não agüento mais!!!


Tudo bem, tem a ceia de natal. Participei da ceia das minhas três famílias e não encontrei um prato sequer sem a presença de defuntos!! Até o macarrão tinha camarão, frango no arroz, porco na farofa...


Acredite em mim, se você não fizer um estudo e se preparar bem antes de assumir o vegetarianismo, você vai
passar fome!


Claro que há várias receitas ótimas sem animais, mas fui pega de surpresa já que não há um vegetariano sequer no meu circulo familiar-amiguístico e eu tinha acabado de decidir a tomar essa postura quando fui à festa de natal. Ano que vem, pode crer que levarei um prato especial para a ceia da família!


É tentador ceder


Em alguns casos é fácil manter a postura, como por exemplo com o peru. Me digam se não é nojento ver aquele animal tostado ali na mesa pronto pra ser comido por nós? Pensem no fato de que há uma grande cela com vários animais apertados se alimentando a fim de ficarem bem gordinhos até o natal. De lá eles são transportados para alguma indústria, e como já estão no ponto, nem se preocupam mais com sua alimentação. Depois são muitas vezes depenados ainda vivos e mortos de modo grotesco até serem embalados e finalizando um grande processo industrial até um deles ser temperado por nossa tia e comido por nós. Arrgth! Eu estou fora disso!


Por outro lado, meu prato preferido é servido justamente no natal... e pasmem.. é um animal! Sim... bacalhau desfiado. Uma delícia da qual estou abrindo mão. Isso sem falar no big bob com aquele hambúrguer delicioso, pizza de calabresa, a minha preferida, esfirra de carne do habibs, macarronada de molho branco e a tradicional picanha, prato especial da casa feito pelo papai e pela mamãe. Todas, absolutamente todas as minhas comidas preferidas são animais.


Não é tão fácil, não é tão difícil, mas uma coisa é certa: é possível!


Adeus, vida canibal!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Homem: Animal irracional.

Isso ninguém mostra, mas quando uma mulher invade a passarela com uma plaquinha, no outro dia aparece em todos os jornais do mundo como ridícula.


Caramba,

...

Só assistam ao vídeo.

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Duas vozes de mim. O retorno.

Dois extremos de uma realidade docemente preocupante

E agora?! O que eu vou fazer?

Relaxa.

Mas como? Não ensinam nada naquela escola fuleira e eu vou perder o PSC! Não faço nem idéia do que integra o conteúdo do ano que vem. Não tem cursinho no primeiro semestre... Não vou saber nada pro vestibular!

Tu ainda tens tempo pra estudar...

Não tenho ! Depois da viagem só tem seis meses até a prova!

O pior que pode acontecer é tu passar mais um ano fazendo cursinho, mas nós vamos passar!

Mais um ano??!!! E era pra ser ESSE ano!

...

Eu também sinto a dor, mas tu tens que aprender a lição, droga! Para de se preocupar tanto só vai tornar mais difícil.

Mas como? Estou lascada!

Pense pelo lado bom, serás uma lascada que fala francês e sentiu Paris no natal.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Ao Muso

Ele se acha o próprio muso inspirador e eu deveria provar o contrário, mas o que que eu posso fazer? Eu amo tudo naquele homem!


Amo assistir Dexter com ele. E House e Two and a half man, The office e até jogo do Corinthians. Amo porque eu fico com raiva pela distância dele, mas quando ele liga dizendo que vai passar lá em casa eu grito “yes!”. Eu amo aquela barba e quando a gente se ama eu esfrego tanto meu rosto nela que fica até doendo depois. Amo esse olhar sonolento, o cheiro gostoso demais e até a forma como ele se veste! E eu adoro quando ele fica beijando meu corpo e odeio o fato dele fazer isso tão raramente...


Amo porque ele me conhece melhor que eu mesma. Amo porque ele sabe transmitir tudo com o olhar. Nem sempre eu entendo, mas aí houve falha na comunicação uehuehe. E o dia não é o mesmo sem aquele senso de humor excêntrico.


Amo porque ele me faz sentir a mulher mais linda da Terra apesar de viver me alertando que daqui a um tempo as coisas já não estarão mais tão em forma assim. E ele tem aquela voz de preleção inexprimível que me deixa doida. Amo aquele abraço que encaixa tão bem.


Amo porque ele me escreveu aquele e-mail há tantos anos daqueles e que quando eu estiver na cadeira de embalo, velhinha, com a vida toda passada, eu vou ler com emoção e chorar por aquele grande amor.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

O Ninguém sabe!

Há coisas que são e simplesmente... são. E todo mundo aceita isso.

Um ali pode até reclamar, mas depois esquece.


Alguém sabe por que o seu Chico não sabe quem é a Regina Duarte? Eu não sei.

A culpa é do presidente? Sei lá! Ele está tão longe da Terra do Meio quanto eu.

Mas e o governador? O prefeito? O dinheiro?


Ele não quis vender a casa. Então colocaram a arma na cabeça do filho e eles tiveram que sair. Ah.. nós tomaremos as providências cabíveis... (nunca hahaha que se dane a dona Maria!).


Sempre é muito longe. E sempre fica assim mesmo.


A freira que tentou ajudar morreu. O outro morreu com veneno jogado por helicóptero sem nunca ter se visto numa foto. E a identidade? hahaha! Foi acidente aquela bala na cabeça também.


A área é protegida! Essa estrada não existe!

Mas nós passamos por ela e tem fazenda e até posto de gasolina.

Nós vamos averiguar o caso (cuidem para que esse repórter não nos perturbe mais).

Pou! Mais um acidente. Enterra ali.


Mais alguém gravou e mandou pra polícia. Isso é um absurdo, eu sou inocente! Mas a gravação comprova!

Quanto pra ninguém saber? 100 paus. Aqui. Feliz Natal pro senhor.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Real

Eu sonhei que os lírios desabrochavam amarelos.
E isso não muda o
fato de serem laranjados.

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Baby

Eu não sei o que é isso.

Será que eu gosto de ti?

Mas se eu gosto assim,

Você também gosta de mim.



Eu vi como você me olhou.

Eu sei que você pensa em mim.

Baby, eu também penso em você.

Mas vamos continuar assim.



Eu tenho medo de te ver.

Nem sei o que é isso em mim.

Eu vi como você me olhou.

E sei que você também pensa em mim.


Eu contei pra uma amiga e ela riu de mim.

Eu vi sua aliança. Não tem mais jeito.

Eu penso em você e você em mim.

Mas vamos continuar só assim.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Querer mais

Pessoas.

Nunca é o bastante.


A alma nunca está satisfeita.

Mais e mais

Ela sempre quer.


E ficamos aqui.

Perdidos em nosso desespero.


Se tiver isso serei mais feliz.

Tenho isso, e agora?


Aquilo.

Eu quero aquilo.


E sempre vou querer mais alguma coisa.

Porque minha alma vai sempre desejar mais.

segunda-feira, novembro 26, 2007

A queda

Sonha
Cai
Chora e levanta
E anda
E voa

quinta-feira, novembro 22, 2007

Nem tão complicada parte 3. I have a dream

Família: Almejo mais proximidade a cada dia.

Sentimentos no sentido homem da palavra: Ambiciono alcançar a solitude plena.

Amigos: Não espero nada deles agora. No futuro quero ser muito ocupada, mas no final da noite encontrar com alguém e rir muito, sair buscando todo mundo em suas casas para uma baladinha ou fugir pra uma cidadezinha no fim de semana... Quero companhias e sorrisos verdadeiros.

Relações humanas: Quero desenvolver o dom da simpatia, da argumentação. Conversar e convencer. O Poder do ser humano está na boca e eu quero ter esse poder desenvolvido!

Personalidade: Acho que eu sou impulsiva demais e na maioria das vezes me falta sabedoria. Quero ter essas coisas todas muito bem equilibradas, aprender a engolir sapo e sorrir enquanto desejo esbravejar impropérios. Aprender desde agora a agarrar oportunidades com unhas e dentes afim de que meus sonhos sejam alcançados. Não quero passar despercebida. Quero ser uma referência de simpatia, caráter e sabedoria onde quer que eu esteja.

Agora: Ser muito inteligente, calma, roupas novas, que a minha viagem pra França dê certo, um notebook e que eu me saia bem na prova do PSC (vestibular por etapas) este domingo.

Querer depois: Estar entre as melhores e mais preparadas no meu ramo profissional, tocar alguns instrumentos, ser rica, poliglota, sábia, independente, sexy e feliz.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Nem tão complicada parte 2. O lado negro da força.

Dos defeitos e pequenas chatices.

O que faz os outros dizerem (por trás) que sou chata?
Minha mania de querer “compartilhar conhecimento” com todo mundo. Tenho que me tocar que nem todo mundo acha interessante saber que as baratas voadoras são na verdade baratas macho.

Também fico chata quando...
Usam minhas havaianas. É horrível porque estica as tiras e deixa a marca de outro pé no solado... é horrível! Não usem minhas havaianas!

Tem mais...
Também sou egocêntrica, quando resolvo ser do contra elaboro teorias contra qualquer coisa que alguém afirmar, deixo a mesma música repetindo cinco horas seguidas e ainda canto junto seja ela em francês, alemão, russo...

Fico mal quando...
A inércia me ataca. Fico superficial. Não sinto. Seco.

O que gostaria muito de ter, ser ou fazer, mas ainda não fiz?

Tocar baixo e guitarra. Sou apaixonada por esses instrumentos, amo música, ganhei eles e mesmo assim não aprendi.
Saber vários idiomas. Mas ainda tenho tempo. Um dia serei uma poliglota que sabe tocar vários instrumentos.


Amor?
Entendi que pas pour moi.

O queria ser, mas não sou....
Nerd. Apesar de gostar de estudar e não sair, na maioria das vezes não dispenso um momento de ócio. Apesar de não enxergar muito bem eu não uso óculos, apesar de ser fã assumida, sou péssima no guitar hero e apesar do meu apelido ser padawana, eu ainda nem assisti star wars!

Conflitos internos?
Na hora de estudar matemática. Eu tenho uma simpatia enorme pelo conhecimento e é necessário que eu aprenda essa matéria pra que eu tenha uma melhor pontuação nas provas de vestibular, mas como qualquer pessoa que não estudou bem tabuada e não sabe o que fazer com a hipotenusa e tantos log, log, log, eu desejo carinhosamente que os elaboradores de prova de matemática enfiem essa matéria lá naquele lugarzinho.

E das coisas estranhas?
Sou muito falante, mas às vezes pra não me expor profiro só observar. Às vezes eu me acho diferente demais, mas me controlo porque eu não quero ser anti-social. Algumas vezes me sinto tão esperta e inteligente, outras vezes eu sou toda bobinha e às vezes ainda choro por me sentir uma burra. Tem um dia do mês que eu me sinto a escória da humanidade e outro que eu me sinto a flor mais linda do jardim.

Enfim, acho que eu sou normal.

domingo, novembro 18, 2007

Ana Mulher

Por Luiz Carlos, o poeta.
Pequena,
ela me dizia, irritada,
Aninha não! Ana!
E de tanto não ser
pequena, é...
Agora assume Ana, mulher
Ana convicta, serena e forte,
Ana dura, Ana leve,
Ana que comanda a língua, altiva
Sua voz faz cada rapaz tremer
Ana bela, Ana audaz, Ana amazona
Ana mulher
Ana que diz com tanto senso de ser
que faz cada rapaz-gelatina, tremer.
Ana é...

sexta-feira, novembro 16, 2007

Nem tão complicada assim parte 1. Jogo rápido.

Às vezes enrolamos, poetizamos e filosofamos pra mostrar coisas que sentimos, queremos, gostamos e pensamos, mas às vezes podemos mostrar tudo isso de modo mais claro e direto.

Façamos então um jogo de perguntas e respostas para Ana Fernandes.

O que é mais importante? Estudar.

O que é mais legal? Música.

Uma banda: Do momento, The Cranberries. Da maioria dos momentos, Legião Urbana.

Uma música: Last Kiss. Mais pela baladinha que pela letra.

Um filme: Forest Gump. E diria mais: Brilho Eterno.

Um ator: Hugh Laurie. Lindo, tesão, bonito e gostosão.

Um livro: Vários livros. Sou fã, leitora e colecionadora.

Um instrumento musical: Baixo. E guitarra. E violão...

Um móvel: Hilux 2008. Vai dizer que não é móvel?!

Um time: Sou flamengo, desde pequenininha.

Uma flor: Rosa rosa.

Uma comida: Bacalhau desfiado da tia Zena. Huuum...

Uma bebida: Coca-Cola. Meu vício.

Um animal: Coelho.

Uma cor: Preto, claro.

Um mês: Novembro, meu mês.

Uma expressão: “Torna-te aquilo que és!”

Um verbo: Pensar.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Até quando

Mais uma vez aquilo

Levando alguma coisa de mim

Deixando a saudade

De alguma coisa que eu não sei o que é...

segunda-feira, novembro 12, 2007

Estive pensando... Será?

O mundo está em constante evolução. Invenções modernas não param de chegar. Do ralador de salada ao I-phone, as invenções geradas pela capacidade de pensar vem facilitando nossa vida e provocando nossa admiração e respeito a nós mesmos, seres humanos.

Mas será que o ser humano pensa mesmo?

Crianças sem escolas. Adultos despreparados. Crimes chocantes. Estupros. Assassinatos. Cara-de-pau. Ausência de punição. Bilhões e bilhões desviados dos cofres públicos. E todos nós aceitamos isso. Será que nós pensamos?

Eu não acredito que o ser humano pense.

Os lixões estão aí. Crescendo a cada dia, poluindo rios e tomando mais e mais áreas. Quanta coisa aproveitável tem lá? Quanto metano desperdiçado. Será que ninguém pensou em elaborar um projeto e leva-lo adiante no aproveitamento do gás metano dos lixões? Talvez esse projeto já até exista, mas a verba foi desviada pra conta suíça de algum governante.

Estamos todos condicionados.

Nós estudamos, nos desenvolvemos, mas porque estamos condicionados a isso. Qualquer coisa que saia do nosso roteiro é esquecida. Descartada.
A camada atmosférica vai continuar sendo destruída porque eu quero ser advogada e não pesquisadora. Mas quando vão começar a aproveitar o hidrogênio? Quanto tempo mais o petróleo, carbono e fumaça reinarão absolutos na terra? Ninguém sabe. Só seremos condicionados a pensar nisso quando o petróleo acabar. Espero que o mundo não acabe primeiro.

É a inércia que assombra.

Todos nós assistimos Tropa de Elite. Vimos de forma tão clara o que todos nós já ouvíamos falar que acontecia. Corrupção. Assassinato. Brutalidade. Pessoas roubando. Pessoas matando. Pessoas morrendo. E qual foi a nossa conclusão? "O capitão Nascimento é o cara!".
Todos nós preferimos levar na brincadeira. Pra não ter que pensar que "corpo no chão" tinha uma mãe, uma filha, uma história e poderia ser alguém se tudo fosse diferente.
Mas quem vai mudar as coisas se todos nós preferimos não pensar?

E o selo vai para...

Meu blog foi premiado pela fofa da Jana de Por que cargas d’água com o selo Escritores da liberdade.


Esse selo tem um significado todo especial porque é dado apenas para quem não tem medo de mostrar suas opiniões e escrevem sua própria liberdade. Obrigada, Jana!

E os meus indicados são:



Da Carol, de Controvérsias, havia recebido o Certificado Blog. Tendo guardado meus indicados para uma data posterior, eu os indico agora.


Os premiados são:





Aproveito o momento para lançar o Prêmio Blog Cabeça.

Para blogs de pessoas que pensam e fazem pensar!



Entre os indicados estão blogs que eu conheci agora, pessoas que eu acompanho a um tempão, mas todos com uma característica comum, todos fazem diferença. Todos me fazem pensar.

E o selo vai para...

sábado, novembro 10, 2007

Quem sabe? (do inferno)

Eu acredito em Deus e não é porque eu fui criada numa família cristã. Mesmo que eu não soubesse nada sobre Jesus e salvação, eu descobriria Deus ao meu redor.
Assim como a Camila, eu considero estúpida a idéia de que as orquídeas e mitocôndrias foram criadas por uma explosão. É claro que existe um Deus por trás de tudo isso e digno de ser adorado por tanto poder e principalmente criatividade. Mas... e o inferno?

Porque mesmo que ele existe? Tudo bem que os homens são maus, mas porque o sofrimento eterno? Deixar de experimentar o magnificamente inimaginável no céu já não é punição suficiente? Será mesmo que o inferno existe?

Eu confesso que deveria estudar mais a bíblia pra saber como surgiu, quando foi citado, mas por mais que tudo isso fosse explicado ficaria a pergunta: Porque Deus não destrói o inferno?

Vocês já pensaram no fato de o inferno ser literalmente aqui?! Se Deus for com o povo dele pro céu e deixar todos os outros numa “Terra” eternamente seria de aterrorizar qualquer um. Vocês podem imaginar o caos? Alguém entende o que a terra vai ser daqui uns anos?

Eu pensaria duas vezes antes de colocar mais um ser no mundo pra temer o inferno.

Não sei vocês, mas eu quero estar no céu.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Camila parte IV

Camila ficava a cada instante mais impressionada em poder pensar sobre qualquer coisa. Era um mundo sem limites. A ferramenta das revoluções tecnológicas, a solução das questões ambientais, a resposta para todos os problemas da humanidade. Estava tudo ali. No pensar.


Ela estava com um sorriso enorme e tão distraída pensando em flores e bicicleta que nem ouviu as batidas na porta. Era sua mãe que ficou alguns minutos observando a filha sem ser percebida e imaginando se Camila estava finalmente apaixonada por um garoto da escola ou coisa assim. Mas o amor de sua filha naquele instante era o pensar.


Depois de conversar amenidades com a mãe ,que ficou surpresa com a mudança repentina na filha e torcendo para que fosse durável e não apenas um lapso, Camila voltou aos pensamentos de forma mais direta.


Chegou a conclusão de que odiava políticos e a política, acreditava em Deus e achava absolutamente estúpido alguém pensar que as árvores, rios, animais de todas as espécies, cores, formas, cheiros, extinto animal, ela mesma e a capacidade de pensar tenham surgido de poeira cósmica.


Não pensa, só pode ser! ela dizia após cada decepção com o ser humano.

Como alguém enterra os mortos na horizontal? Ninguém imagina que daqui um tempo não vai ter mais espaço pra tanto túmulo? E que idiota aquele fazendeiro desmatando tanta floresta, matando tantos animais queimados, impedindo a reposição do oxigênio indispensável pra nossa sobrevivência e de quebra jogando uma porção incontável de carbono na atmosfera pra camada de ozônio ficar mais lascada e o mundo acabar enquanto ele tem um percentual maior de lucro na renda dele.


Se as pessoas não deixam nem de jogar papel de bombom e garrafa de refrigerante no chão sabendo que isso acaba com o planeta, quem se preocuparia com a paz? E com as famílias que morrem de fome? E as famílias que morrem na guerra? E as culturas que ensinam o amor à guerra e valorização da morte? E as culturas que ensinam as crianças que a obtenção de lucro é o mais importante doa a quem doer?


Camila chegou a conclusão de que o ser humano é um idiota, mas aí veio uma questão mais complicada.

O que eu posso fazer para mudar isso?

terça-feira, novembro 06, 2007

Vazio

Às vezes ela se sente tão vazia
E ele quer que ela diga alguma coisa
Mas ela só tem o silêncio


Eu queria saber o que tem aqui dentro
Mas nada se revela


Talvez haja um grande tapete
E todas as coisas são jogadas lá pra baixo
Pra eu não sentir
Dor


Uma piscina vazia não faz sentido
Mas como posso encher?
Eu não sei o que há embaixo do tapete


Era pra não sentir
Mas eu sinto
Vazio


Quero alguma coisa que me faça chorar
Até transbordar
Eu estarei sentada na beira da piscina
Esperando as lágrimas trazerem meus sentimentos
De baixo do tapete

domingo, novembro 04, 2007

Camila parte III

Camila chegou em casa e foi direto pro quarto.
Ligou o som, o ar, trocou de roupa e se jogou na cama, lugar do mundo que ela mais gostava, com um caderno e um lápis na mão.

Ela estava ansiosa pra fazer anotações sobre tudo que estava passando pela sua cabeça, mas ficou com o caderno em branco.


Naquele dia ela só pensou.

quinta-feira, novembro 01, 2007

Humor!

Viva o que é bom!


Se a felicidade não existe, quem domina tudo é simplesmente... o humor.

É graças a ele que a gente inventa uma dancinha e se diverte na frente de espelho porque não tem nada pra fazer.. ou se joga na cama e chora por se sentir sozinho e sem nada pra fazer.

Não tenha medo de chorar, ou ficar triste. Mas não se deixe ficar assim por muito tempo. O mundo não para e volta pra nos juntar do chão quando ficamos assim.
Pense no que tem que ser mudado.. mude. Supere. E divirta-se!

A trilha sonora exerce total influência sob meu humor.
Então, vai uma dica: não ouça Los Hermanos se não estiver preparado pra isso.

Ouça Alanis no seu mp3. Saia na rua fazendo cara de quem está entendendo tudo, dê um risinho quando ela cantar algo num tom irônico e dê bom dia quando passar por alguém.
Ou faça como eu, coloque Elvis no máximo. Ou Strokes, Wolfmother...

.. e grite!

Sorria! Você não tem nenhuma doença grave e nem está com dívidas no banco (eu espero). E mesmo se estiver, fazer biquinho não vai fazer a dívida desaparecer.

Cante. Por mais que não agrade a muitos. Por mais que não saiba a letra da música.

Brinque com seu cachorro, gato. Só não com seus coelhos... eles nunca dão muita moral pra gente.
Role na grama, ou no chão do apartamento. Não se preocupe com o que as outras pessoas vão pensar.
Se jogue na banheira, na piscina.
Pule. Aproveite a elasticidade do seu corpo.

Saia sozinho. Vá ao cinema ver uma comédia, ou mesmo um suspense. Compre uma pipoca bem grande. Aprenda a curtir o momento.
Dê uma volta numa praça. Leve um livro bom e viaje sozinho. Crie seu ambiente.

Tenha amigos também. Nunca espere muito deles, mas preserve-os.

Daqui há alguns anos você entenderá o que eu estou falando.

quarta-feira, outubro 31, 2007

sábado, outubro 27, 2007

Taís

É uma garota com um grande potencial, muito inteligente, mas se faz de burra tentando ser extraordinária.


Isso porque esquece de ser natural.
Esquece de buscar a simplicidade.
Esquece de aproveitar quem é e vive a procura de algo que nunca será.


Taís sofre, pois sabe que nunca deixará de ser aquele projeto inacabado.


Ela tem a capacidade, ela tem força, mas se perde em sua angustia todas as madrugadas. E pela manhã, na sua estupidez.


Um dia Taís vai cair bem feio e só aí vai ouvir Nietzsche dizer: Torna-te aquilo que és!

Quadro de avisos parte II

É com muita emoção que digo que este blog foi premiado novamente, mas desta vez com um certificado pela Carol.


É bom demais receber prêmios, ainda mais, de pessoas que eu admiro tanto.

Dedico esses prêmios ao grande Worklover, por quem eu tenho um carinho inexplicável. Ele foi um grande incentivador desde quando eu ressuscitei este blog.
A pequena Willworklover estará aqui aguardando sua volta.


Muito obrigada também, a todos que vem aqui e dedicam seus “cinco minutinhos” a ler estes pensamentos, comentando e motivando a exposição de novas idéias.


Beijos a todos.

sexta-feira, outubro 26, 2007

Quadro de avisos

Não gosto muito de desviar os posts do blog para avisos, mas esse momento merece uma exceção à regra.


Novo Layout


Como todos já puderam perceber, o blog está de cara nova.


Pensei seriamente em também mudar o nome desta página, mas pensar me fez pensar que “Pensamentos de uma garota normal” é ideal.
Então, promovi o subtítulo à posição de tí
tulo e cortei o impronunciável “oO? oO!”.


O desenho que marca o “Pensamentos de uma garota normal” é de autoria do grande mestre da pintura Mark Ryden.
Ele ainda é vivo, provavelmente usa a internet e eu não paguei direitos autorais, portanto, não espalhem.


Aproveitem a interatividade respondendo à enquête (ao lado ->).
A cada semana será feita uma pergunta nova, e os resultados da pesquisa anterior serão exibidos mais abaixo da barra lateral.
Respondam
as perguntas e mostrem que vocês também pensam.


Prêmio


Este blog foi premiado pela Amanda com o selo:


Obrigadíssimo, Amanda!


Tendo que passar o selo a outros blogs, eu escolho:


Beijos a todos

quarta-feira, outubro 24, 2007

Confissões indiretas de uma garota em crise

Quando a paixão vem, ela fica mais boba que a mais popular e patricinha das adolescentes de filme americano.

A garota, que outrora tinha seu sono tomado por questões do tipo “cadê a ONU enquanto esse povo sofre um genocídio, meu Deus?!”, não consegue se perguntar nada além de “o que vou dizer quando encontrar com ele?!!”.

Às três horas da manhã se revira na cama, inquieta, pensando “conto ou não conto?!”, “é melhor preparar o terreno pra não assustar o cara, ou seria melhor ir direto ao ponto?”, “não vou conseguir controlar minhas bochechas vermelhas”, “Ele é tão virtuoso!”.

Nem tudo na paixão é lindo, tudo é ridículo, mas não adianta, por mais que tente manter a compostura, quando pensa que não, já está escorada em algum canto com um sorrisão bobo na cara.

Ah... pelo visto a noite vai ser longa.
Melhor ir preparando o brigadeiro e aquele filminho...

terça-feira, outubro 23, 2007

Liberdade

Seu maior defeito era dar ouvidos a voz do seu coração, que ansiava loucamente pela liberdade que só a paciência e a sabedoria poderiam alcançar.

domingo, outubro 21, 2007

Amanda

Percorre a estrada do medo
Atravessa o pântano da solidão
Mas se perde no labirinto da angustia

quarta-feira, outubro 17, 2007

Clara

Clara chora desesperadamente todas as noites.
Ela acha que é saudade, mas é só o futuro insistindo em persegui-la sob a forma de nostalgia.

Clara está condenada a morrer de saudade.
Saudade do que ainda nem viveu.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Medo

Medo das coisas saírem do planejado.
Do planejado não ser o melhor.
De errar o caminho.
De pegar a porta fechada.

Medo de não ser nada daquilo que sonhou ser.
Das oportunidades que tanto espera, não chegarem nunca.
De deixar as oportunidades passarem.

Medo de não alcançar.
De não chegar tão alto.
De não mergulhar tão fundo.

Medo de cair.
De não ter.
De não conquistar.

Medo de não ser capaz.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Saudade e dor

Saudade que domina a mente.
Destrói os fetos de um novo pensamento.
Que nos mergulha numa dor infinda.
Tira as forças e nos esquece afundados ali.
Coma absoluto.
Dor física.
Que parece entrar como faca no coração.
Que embrulha o estômago.
As mãos ficam dormentes.
Os pés parecem não agüentar o peso do corpo.

Saudade que mais parece dor pela morte.
Dor por alguém que não vai voltar.

segunda-feira, outubro 08, 2007

O Último Cigarro

Se levantou da cama e ficou andando de um lado pro outro no quarto sem saber exatamente o que fazer.
Acendeu um cigarro, sentou na janela e ficou olhando a cidade. Cinza. Fria.
A cada tragada, observava de longe o quanto as pessoas eram tristes e vazias.
Talvez esse fosse seu último cigarro.

Colocou uma gravata e ficou se olhando no espelho.
Estava pronta pra ver aquela garota do reflexo ser estrangulada.

Passou muito tempo ali. Inerte.
Até que deu uma risada e sussurrou: covarde”.
Afrouxou a gravata, pegou sua mochila e foi embora.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Camila parte II

Camila se levantou da cama, e como em todos os outros dias, foi se preparando de forma mecânica para ir à escola. Ela ainda estava dormindo, geralmente só acordava (parcialmente) depois que já tinha voltado pra casa, mas naquele dia isso aconteceria mais cedo e de forma bem diferente.

Sua mãe a deixou no portão da escola, uma das melhores de São Paulo, e assim que o carro partiu, Camila abriu os olhos de maneira dessemelhante.

As cores, formas e sons ficaram mais nítidos. Tudo estava mais claro. O mundo havia se revelado.

Me permitam esclarecer uma coisa, Camila não era uma garota rebelde, pelo contrário, ela desconhecia esse conceito. Algo no ser dela estava apagado, mas agora, ela se abriu à percepção.

Fez uma cara estranha, mas não pode fingir que nada havia acontecido.

Continuou andando e, de repente, percebeu que o garoto ao seu lado deixou um perfume bom demais no ar, achou massa o esmalte roxo daquela menina, bizarra a barba do professor e nojento um cara comendo um pastel tão oleoso àquela hora da manhã.

As percepções eram tantas, que deixaram seus sentidos meio confusos.

Ela tinha acordado para o mundo das opiniões.

Foi pra sala de aula assustada, percebendo que apesar de ter certeza que não pensava nada e que nunca tinha percebido todas essas coisas, elas já estavam lá, bem na sua mente. Sem perceber, já tinha opinião formada sobre milhões de coisas e a cada segundo percebia algo novo, sentia o mundo, sentia o gostar e o não gostar. E que isso já havia antes mesmo dela abrir os olhos.

A garota-espectro podia sentir.

O primeiro tempo era de geografia e ela já sabia que não gostava dessa matéria, nem do professor.
Suas matérias preferidas eram matemática, física e principalmente biologia. Era fascinante ouvir sobre o funcionamento do seu corpo e como a criação é perfeita.
De repente o professor de geografia comenta alguma coisa sobre vestibular. - Caramba! Tenho vestibular esse ano! Agora, ela pensa em fazer vestibular pra Ciências Biológicas.

No Intervalo pôde observar melhor seus colegas.

Observava a todos descobrindo que já tinha definido os simpáticos, inteligentes, bonitos, chatos, feios, cheirosos, estilosos, e que também já tinha opinião formada sobre todos os grupinhos.

E ela achando que se pensasse sobre isso diria que rótulos são uma merda.

O grupinho que ela acha mais interessante é o dos nerds. Ignorados por todos da escola, usam óculos estranhos, ou normais, mas em rostos estranhos.
Estava tendo a final de xadrez e ela ria do brilho nos olhos daqueles nerds a cada jogada. Mas o que chamou mais a sua atenção foi o Game Boy de um garoto sentado sozinho mais adiante.

Tem muito nojo daquelas rebeldezinhas de cabelo verde e lápis preto nos olhos. Odeia as ver seguindo a Nataxa, uma garota ridícula do segundo ano.
Se questiona sobre como conseguem encher completamente suas mentes com coisas como o novo tom de azul da Jeans Color ou como é gatinho o vocalista do Nx Zero.
Qual será o tamanho do cérebro dessas garotas?

Olha as patricinhas, que se estranham com as garotas de lápis no olho, e pensa como elas se entenderiam bem se parassem um pouco pra conversar sobre maquiagem e o traseiro do Felipe Dylon.

Ela ria pensando que pensava tanta coisa, mesmo que inútil, pensando que não pensava nada. E ria da frase que se formou também.

Ela gosta daquelas meninas inocentes. Não as com cara de santinha, mas aquelas que têm “alma pura”.
Camila sabe reconhecer essas de longe.
Elas também se preocupam com os tons de tinta da Jeans Color, mas é tão natural que chega a ser admirável. Nem todas são muito tímidas, mas todas são estudiosas e inteligentes. Vivem de maneira fantástica, preocupadas com o presente e tendo nos seus planos pro futuro apenas o que alguém responsável teria.
Elas são as que, provavelmente, terão os melhores empregos, um marido atencioso e filhos bem-educados.

Camila tem inveja de como elas vivem tão calminhas nesse mundo cão.

Talvez seja o egoísmo que as faz tão puras.

Uma em especial chamou sua atenção. Sofia do segundo ano. Percebeu também a forma timidamente amável como ela olhava um garoto. Ele estuda na sala da Camila e além de bonito, popular e muito simpático, é inteligente. Apaixonante, mas ela percebeu também que gosta mais da Sofia que do Gustavo.

Camila ficou perplexa com todas as opiniões que tinha sem saber, e mais ainda, por saber que elas estão em constante movimento, podendo sofrer mutação a qualquer instante, basta observar e deixar ser absorvido pela mente.

Se isso é tão magnífico nas coisas rotineiras, imagina então se formos pensar no que guarda as entrelinhas do dia-a-dia. Gostos, opiniões, teorias a respeito de qualquer coisa. Viagem. E uma viagem sem volta.

Ela se abriu à percepção, e não pôde parar, e nem queria, só desejava ir mais fundo. Cada vez mais.

Depois que saiu da escola, passou numa loja, comprou um PSP, e voltou pra casa jogando Need For Speed, seu jogo preferido.

A partir desse dia Camila nunca mais parou de pensar sobre a vida, a existência, e os fatores que as compõem.

domingo, setembro 30, 2007

A água

Quatro horas da madrugada. Ela liga pra ele chorando muito.

– Eu quero morrer.
– O que aconteceu?
– Nada... A vida é uma droga!
– Mas o que houve?
– São as coisas como acontecem... Nada funciona na minha vida!
– Foi alguma coisa na tua família?
– Não. Não foi nada... eu me sinto tão mal. Nada funciona. Não tem água pra tomar banho!

Choro

– Pare com isso, minha pequena. Calma.
– É a água... Tudo acaba, tudo passa, se desfaz...
– Fique tranqüila. Amanhã a água volta trazendo tudo que está faltando. Fique bem. Eu te amo. Procure dormir, minha linda.

Silêncio. Ela enxuga as lágrimas.

– Eu não quero deixar de te amar.
– Tu nunca vai precisar fazer isso, eu prometo.
– Eu te amo... muito.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Não há

Papel e caneta
O que escrever?

Algo que agite
Que faça sentir

Mas não há

Calmaria
Estou bem

Ausência de ventos
Forma massa de ar

sexta-feira, setembro 21, 2007

Camila


É uma garota estranha, não só aos olhos dos outros como aos dela. Nunca se entendeu consigo mesma. Sempre que tentava, entrava em depressão profunda.
Agora, madura aos 17 anos, nem se importa com o ser.

Tem sua galera, mas é solitária. Todos da turma dela são assim. Só se reúnem aos finais de semana. Bebem e fumam enquanto umas músicas rolam. Depois voltam para suas casas.

Durante a semana, passa as noites no seu quarto ouvindo música e desenhando. Ninguém sabe que ela desenha bem. Nem ela.

Sua família pertence à classe média. Se ela fosse comentar algo sobre isso seria.. “tanto faz”. Não fala palavrões. Não conversa. Não diz nada além do necessário: “tanto faz”.

Na escola, é uma aluna mediana. Está no terceiro ano, mas não pensa nada a respeito disso. Faz o que tem que fazer lá apenas para não ter ninguém no seu pé.

Não chama atenção. Muitos nem a notam. Quem convive com ela, diria apenas que era uma garota estranha. Quem se importa?

Talvez alguém pudesse a descrever como um espectro invisível, que apenas paira no ar, pesado, mas ninguém teria esse trabalho.

Não pensa nada sobre nada. Pelo menos é isso que ela acha que pensa.

Seus gostos, opiniões... Quem vai saber?

Há mais coisas na mente da garota-espectro do que ela mesma pode imaginar.